Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Portugal anda deprimido

Diz o Governo que são notórios os sinais de recuperação económica e que Portugal está no bom caminho. Há uma cena de um filme da série  Indiana Jones em que este tem de caminhar descalço sobre brasas para atingir um determinado objectivo. Em Portugal, além de poucos vislumbrarem qualquer objectivo digno desse nome, não são os pés que escaldam mas sim os bolsos e principalmente a mente. Basta encetar uma conversa qualquer com determinado indivíduo para não tardarem os lamentos sobre a incerteza do futuro, o cansaço de tantos anos de falsas promessas, a descrença na classe política; no entanto, estes lamentos passaram a fazer-se em voz baixa como se o país vivesse de novo os fantasmas retaliatórios do passado...
No Alentejo vivem-se situações dramáticas de empresas que prosperaram durante anos a fio e que à primeira dificuldade encerram portas arrastando para o desemprego famílias inteiras. Há algumas delas em que os pais só vêem os filhos ao fim-de-semana porque foram obrigados a litoralizar-se, cada um deles para um ponto diferente do país; isto é dramático. É curioso que na Comunicação Social é notícia cada fábrica que encerra no Norte do País mas ignorada a situação de subdesenvolvimento crónica em que vive a região alentejana. Penso mesmo que no subconsciente de cada português há um Portugal amputado do Alentejo porque deixou de existir esperança, a falta de esperança conduz à inércia e a inércia ao baixar de braços. No nosso cantinho, onde o mármore é (ainda) rei vivem-se já momentos de grande aperto mas por enquanto vai-se assobiando para o lado porque a nobreza continua a ser um estado de alma...
publicado por libato às 18:44
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Sábado, 27 de Janeiro de 2007

Grandes portugueses

O semanário "Sol" refere na sua última edição que António Oliveira Salazar pode ser o nome mais votado pelos portugueses e assim constituir-se como o português mais distinto de entre uma lista de 100 nomes, num concurso que está ser promovido pela RTP de há alguns meses a esta parte.
Coloco sérias dúvidas que uma iniciativa deste género desse a vitória a Hitler na Alemanha, a Mussolini em Itália ou a Franco na nossa vizinha Espanha. Em Portugal e embora Salazar já não possa erguer o troféu cujo vencedor o "Sol" prenuncia, a sua aposta no centralismo ditatorial, numa população desinformada, de baixo nível académico e cultural e a repulsa que evidenciou pelo plano Marshall que abrangeria o nosso país caso o tivesse solicitado é reflectida nesta votação que não é, de todo, inesperada. Conheço muitos portugueses que garantem a "pés juntos" que viveríamos,hoje, muito melhor se o ditador permanecesse na sua cadeira. É inútil argumentar que a economia global se transformou, que a política de colonialismo não traria quaisquer vantagens na actual conjuntura, porque o povo português é o reflexo do salazarismo; desinformado mas de ideias fixas.
Não se pense, contudo, que Salazar é o único responsável por este importante revés na forma como começámos a ver os males da democracia; os políticos pós -25 de Abril têm mantido a postura do acesso restrito à informação, da manipulação de baixa vertente e dos gastos excessivos em "elefantes brancos" em detrimento da formação dos cidadãos. Só que Salazar teve uma virtude que não têm os políticos actuais: manteve o seu "rebanho" unido e não lançou conflitos entre classes sócio-profissionais.Em suma, não arranjou bodes-expiatórios para a sua própria mediocridade.
Pessoalmente, gostaria, de observar as reacções de homens que lutaram pela liberdade em contraponto com outros que têm colocado Portugal dentro do carro-vassoura da Europa, se estes resultados se confirmarem...
publicado por libato às 15:40
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Terça-feira, 23 de Janeiro de 2007

O Estatuto da Carreira Docente para totós

Já saiu em Diário da República o famigerado ECD que segundo o ME vai implementar um ensino de qualidade nas nossas escolas. Vejamos então, de forma que até mesmo os leigos entendam, em que consiste este novo estatuto;
Três professores estão numa ilha onde têm a difícil tarefa de ensinar 5 indígenas. Como solucionaria o ME, à luz deste estatuto, a árdua tarefa de ensinar estes aborígenes;
- Para dirigir a tenda escolar, escolhe o professor mais velho, independentemente da sua competência, ao qual pagará mais um pouco.
- Os outros dois professores conscientes de que o Eleito passou metade da sua vida debaixo de uma bananeira e nada fez em prol da ilha, revoltam-se contra a decisão, até porque terão de esperar que este se retire para poderem aspirar à sua posição, pelo que se desmotivam deitando o olho à bananeira.
- O Eleito passa a ter a possibilidade de espiar os súbditos, amedrontando-os, e nada sugerindo como método de trabalho uma vez que ninguém lhe perguntou se era competente e inovador.
- O terceiro professor coloca-se ao lado do Eleito para ser beneficiado na sua avaliação e passa a delator o que irá gerar na tenda um verdadeiro clima de guerra institucional.
- Questionado sobre a melhor forma de ensinar os indígenas, o Eleito apenas responde que está ali na qualidade de eleito, porque a antiguidade é um posto.
- O eleito prefere dar ordens relativas a horários a cumprir que é sempre mais fácil do que dar sugestões de trabalho
- Apesar de ser um óptimo vigilante derivado da sua competência em lixar-colegas-com-quem-não-se-engraça, ainda têm a difícil tarefa de aprovar novos reforços, desconhecendo-se o método em que se apoiará para o fazer (e que competência!)

Eiii, há aí alguém que ensine estes indígenas e que não faça parte desta teia?
publicado por libato às 22:51
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007

Casas sérias de jogo

Vou aproveitar este espaço para um pouco de egocentrismo mas também para alertar os caros leitores para aquilo que são as facilidades colocadas ao seu dispor sem o mínimo risco, comodamente em sua casa, em suma, fácil, rápido e seguro. Como procuro incessantemente a independência económica e o Sr. Belmiro de Azevedo ainda não me aceita como sócio sem entrada de capital, jogo semanalmente no Euromilhões. Nada mais simples, basta carregar o cartão de jogador em homebanking e volvidos cinco minutos está pronto a lançar os seus números da sorte pela via digital; tão simples como a certeza absoluta que só há duas situações possíveis: ou sai o bolo grande ou não sai.
O problema é quando, no acto do carregamento, o seu dedo que é pouco mais gordo que as teclas em vez de digitar 15 €, digita acidentalmente 156 €. Pois é, caros amigos, posso afirmar que, neste momento, parte do dinheiro que circula por essa Europa fora pertence-me mas a nossa Santa Casa apenas ajuda pobres e não perdoa àqueles que digitam valores por engano. Há um mês que espero que o dinheiro me seja devolvido e juro-vos que até já pensei dormir debaixo de uma ponte com uns papelões por cima para ver se consigo reaver pela via da solidariedade institucional da SCM, o dinheiro que me é devido.
sinto-me:
publicado por libato às 18:32
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Sábado, 20 de Janeiro de 2007

As 7 maravilhas de Vila Viçosa

É com o maior prazer que anuncio que já está em marcha a eleição das 7 Maravilhas de Vila Viçosa.

Esta votação irá ser organizada pelo Terras de Mármore e contará com o apoio e divulgação dos nossos blogues individuais, A Interpretação do Tempo, Calipole – Vila Viçosa – Princesa do Alentejo, INFOCALIPO, Intervisão, O Restaurador da Independência e Tomar Partido, assim como do Neste Meu Alentejo e Calipolense Taurino.

Esta iniciativa surge no âmbito da votação para as 7 Maravilhas de Portugal, na qual o Paço Ducal de Vila Viçosa está a concurso. Assim com o intuito de chamar a atenção dos Calipolenses, dos Alentejanos, dos Portugueses e dos Cidadãos do Mundo para Vila Viçosa, o seu Paço Ducal e as restantes 20 Maravilhas que estão a concurso, o Terras de Mármore arranca com a votação para as 7 Maravilhas de Vila Viçosa.

Actualmente estão a concurso 61 monumentos do Concelho de Vila Viçosa (Vila Viçosa, Bencatel, Ciladas, São Romão e Pardais), que estão a ser estudados cuidadosamente pelos elementos do Terras de Mármore, pelos bloggers do Neste Meu Alentejo e Calipolense Taurino e por mais algumas pessoas por mim convidadas. Destes 61 monumentos, apenas 21 irão a concurso, o qual estará aberto a todos os quantos queiram participar nesta iniciativa e que desde já, convidamos a participar, não somente Calipolenses, mas sim também Alentejanos, Portugueses, Cidadãos do Mundo.

Para votar nas 7 Maravilhas de Vila Viçosa, basta enviar um e-mail para orestaurador@gmail.com ou terrasdemarmore@sapo.pt  referindo os 7 monumentos que acha merecedores de figurarem na lista das 7 Maravilhas de Vila Viçosa, assim como o seu nome e localidade. Optamos por este método de votação de modo a evitar que haja pessoas a votar mais do que uma vez nos mesmos monumentos e para que a votação possa ser a mais dispersa possível. Mais uma vez repito que todos podem votar, participar e divulgar!

À semelhança das votações para as 7 Novas Maravilhas do Mundo e 7 Maravilhas de Portugal, também o resultado das 7 Maravilhas de Vila Viçosa irá ser divulgado no dia 7 de Julho de 2007, dia esse que esperamos seja de festa em Vila Viçosa com a eleição do Paço Ducal de Vila Viçosa como Maravilha de Portugal.

Temos consciência de que a lista final de 21 monumentos não irá agradar a todos, mas infelizmente é impossível agradar a todas as pessoas. Contudo, pensamos que independentemente dos monumentos que venham a estar representados na lista final de 21 monumentos, irão ser uns dignos representantes de Vila Viçosa e do seu concelho por essa blogosfera fora!

Senhoras e Senhores, os dados estão lançados!!!


Texto do "Restaurador da Independência"

                                                                                   

publicado por libato às 10:45
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

O aborto

Esta semana surgem boas notícias na área da Medicina pela entrada no nosso mercado da primeira vacina anti-cancro do colo do útero. Para os que andam há mais tempo neste planeta tem-se a sensação que pela primeira vez algo deixa de estar confinado aos pseudo-êxito laboratoriais com ratos e é apresentado com certezas de grau bastante elevado em humanos, o que não deixa de ser animador. Estranha-se, no entanto, que uma tal vacina, que se constitui como uma verdadeira esperança para as milhares de mulheres que todos os anos são afectadas por este gravíssimo problema obrigue a um esforço financeiro enorme, restringindo à condição social inerente as mulheres que poderão beneficiar da prevenção deste flagelo.
Por outro lado, temos um Estado predisposto a comparticipar financeiramente os abortos. Ou seja um Estado que prefere intervir para reduzir o número de humanos seja essa intervenção por via do aborto ou pela não-comparticipação de uma vacina que aumenta a esperança de vida das mulheres portuguesas. Um estado que investe na diminuição da população quase como que complemento de medidas paralelas como o corte das despesas públicas ou o aumento da idade da reforma. Há portugueses a mais em Portugal, resumidamente, e por isso o Estado não tem qualquer pejo em cortar o mal para raíz como que afirmando: "Ajudem a equilibrar as contas públicas não fazendo nascer os vossos filhos. Contem connosco !"
publicado por libato às 18:00
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Domingo, 14 de Janeiro de 2007

10 razões para continuar pobre

Se desanima porque o Euromilhões teima em não bater à sua porta, acredite que há razões de sobra para que tal não aconteça entre as quais:
- uma subida da tensão arterial no momento de receber a notícia
- conseguir tudo o que se quer facilmente conduz a depressões
- não sabe se as pessoas se aproximam de si por interesse ou por amizade
- possibilidades de rapto de familiares
- maridos que arranjam amantes a troco de boas quantias dispendidas
- tendência para fazer casas enormes o que provoca um afastamento dos lá que vivem
- receber telefonemas dos bancos a toda a hora
- possibilidade de assaltos à sua casa
- gente a pedir-lhe dinheiro empresta(dado) a toda a hora
-gente que acha que você se tornou arrogante desde que é rico

Seja pobre!!!
publicado por libato às 11:24
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007

O encerramento de escolas

São mais 900 as escolas que irão fechar para o próximo ano lectivo assente em dois critérios: menos de 10 alunos ou com menos de 20 com uma taxa de insucesso superior à média nacional. Não vale a pena dourar a pílula e tentarem convencer-nos de que os beneficiados são os próprios alunos;com este encerramento o Estado poupa milhões de contos fazendo que estes alunos sejam inseridos em turmas onde já existiam 23-24 alunos. Ora que argumento pedagógico pode servir de suporte a este aumento de alunos por sala? Numa escola onde há 10 alunos haverá  menos condições para o sucesso do que numa turma de 30 alunos?
publicado por libato às 16:21
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007

Vandalismo em Évora

Ainda não se sabe se os resultados que Cavaco Silva exigiu ao Governo em termos de Educação se centralizam única e simplesmente numa menor comparticipação do Estado no sector para auxiliar no cumprimento  dos compromissos europeus ou numa maior qualidade do ensino que a longo prazo insira na sociedade cidadãos informados, qualificados e com um forte sentido cívico. É sabido que o actual chefe de Estado não foi, enquanto primeiro-ministro, um exemplo nesta matéria preferindo esbanjar os milhões recebidos em obras de betão, confundido cada tonelada erigida com a marcha de um qualquer desenvolvimento. Quando Maria de Lurdes Rodrigues afirma que conquistou os portugueses em detrimento dos professores com a sua reforma educativa que nada mais é de que um corte transversal nas regalias dos docentes, referia-se à transferência da responsabilidade educativa dos pais para os professores. Porém, esta transferência trata-se de um presente envenenado para o sistema uma vez que os pais em vez de vigiarem o comportamento dos filhos passam a ser vigilantes daqueles que cuidam deles, legitimando o afastamento dos jovens para com a família ao obrigá-los a permanecer mais tempo nas escolas.
Ninguém ignora que os tempos actuais divergem dos de antigamente dado que praticamente deixou de existir, por via da empregabilidade feminina, o papel da mãe-supervisora, mas também não é menos verdade que nesses tempos as tropelias infantis se limitavam a simples invasões de propriedade para jogar futebol ou ao retirar inofensivo de uma laranja alheia para consumo próprio. Não era necessário haver escola até ao pôr-do-sol para que os jovens dessa altura se dessem conta dos limites que podiam atingir fora da mira dos pais porque o papel dos adultos, professores incluídos, era valorizado e respeitado pela sociedade.
O vídeo das crianças que vandalizam viaturas, consumindo cerveja (ou algo mais) é um ponto de interrogação gigante que se coloca à frente da equipa ministerial. Feitos os cortes orçamentais julgados necessários e ganhando-se batalhas contra os educadores, haverá alguma coisa que subsista no futuro destes jovens?
publicado por libato às 20:12
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Domingo, 7 de Janeiro de 2007

A televisão privada que temos

As televisões privadas portuguesas estão assustadas com a criação de uma entidade reguladora para o sector. Segundo as mesmas, a licença que pagam para operar no mercado português dar-lhes-ia a garantia da livre escolha da programação, dos horários flexíveis dos respectivos conteúdos e de prováveis alterações de última hora. Sabe-se, no entanto, que esta roda livre em que funcionam a SIC e a TVI é derivada da marcação cerrada que as duas estações efectuam entre si; os intervalos estão puramente sincronizados de modo a que o zapping não desvie os espectadores, os tipos de programas são idênticos dentro do mesmo horário e, pior ainda, os conteúdos das novelas assemelham-se terrivelmente. Há dias, seguia com algum  interesse um filme na TVI madrugada dentro sacrificando algumas horas de sono dado que no dia seguinte seria dia de S. Trabalhar. Quando o filme se aproximava do seu final - faltariam porventura 10 minutos para o seu desfecho - a estação de Moniz resolve colocar mais um anúncio publicitário.
É este tipo de situações que nenhuma licença deveria permitir; o desrespeito pelos espectadores mas acima de tudo o desprezo pela diversidade. Se as duas estações emitem semelhante conteúdo no mesmo horário então porquê a existência de duas estações? Que se fundam numa só com a designação de Telenovelária Ininterrupta Nacional (TIN) e conçedam a licença sobrante a quem tenham um pouco mais de imaginação e sensibilidade televisiva.
publicado por libato às 14:52
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