Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

NON ou a vã glória de mandar

O clima degradante que se instala em departamentos públicos, escolas, autarquias e empresas revela um know how e um Know who bastante perspicaz por parte deste governo. Não há necessidade que o Estado estenda tentáculos para os diversos sectores de actividade com o objectivo de controlar as relações laborais; dê-se apenas a possibilidade de um qualquer indivíduo tomar sob o seu comando alguns dos seus semelhantes. Ainda que a personalidade deste indivíduo até então se tenha revelado afável e de bom trato, algo irá nascer dentro de si e que o transformará gradualmente; o peito vai inchando e o orgulho começará a extravazar os limites da sua própria personalidade. Para aqueles cuja competência em determinada área é inata, desempenhar um cargo directivo não o tornará diferente; esse privilegiará as boas relações humanas, mas para aquele que nada possui para além de uma mente toldada e nada flexível aliado a um desinteresse pela sua própria área de actividade, isto será potencialmente bombástico.
Em 1986 estava eu em Mafra a cumprir o serviço militar quando um decreto governamental resolveu dispensar 1/3 dos recrutas milicianos; é sabido que, após a recruta estes milicianos teriam a possibilidade de comandar novos recrutas nos pelotões de soldados denominados "rasos". Esperei incessantemente que o meu número mecanográfico fosse mencionado pelo comandante do quartel mas...nada. No entanto, concluído o processo de leitura dos números foi assinalável e patético a correria dos "dispensados" a pedir a anulação da decisão, única e simplesmente porque tinham sede de...comandar homens a troco de 500$00 mensais que equivaleriam actualmente a cerca de 100 euros.Homens com profissões cá fora que não queriam perder a oportunidade de espezinhar  um seu semelhante e assumir-se com um poder que lhe era conferido pelas divisas que carregariam aos ombros e não por algum perfil próprio de comando.
Reparem no comportamento de alguns dos vossos dirigentes; não estimulam o gosto pelo trabalho dos seus súbditos, preferem olhar para o relógio quando você entra ou quando sai. Impõem-se pela sua presença altiva e omnipotente ao invés de promoverem o trabalho de equipa; avaliam-no pelo número de vezes que olha para o seu computador mas não se preocupam com a qualidade do que lá está escrito; são avessos à criatividade e iniciativa porque isso é a maior ameaça à sua própria função.É o Portugal dos salários baixos de Manuel Pinho e da mecanização de comportamentos.
Carnegie, no seu livro "Como fazer amigos e influenciar pessoas", descreve uma situação curiosa de um patrão que constatou que o turno de dia da sua fábrica produzia metade das matérias do turno da noite. Sem qualquer reprimenda, começou a inscrever num quadro preto o número de unidades produzidas pelos seus funcionários nocturnos. Ao fim de 2 dias a produção do turno da noite tinha triplicado.
Um livro que todos, mas todos, deveríamos ler...
publicado por libato às 21:08
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